Quarta-feira, Maio 25, 2011

Desesperos por uma gota de sonho parte I




A vida leva-nos a nós homens a ter reações que nem sabemos ou contamos serem puramente despertadas por vocês mulheres no melhor do nosso ser...Mas ainda bem que assim é, pois é a sensação de alcançar de viver e de sentir que nos faz felizes, ou seja, nos oferece um bilhete para irmos à loucura mas com volta.

Saímos de manhã, o ar está diferente, é Verão e parece que a t-shirt me deixa mais solto, mais energético e sinto-me bem. Saltito pelas escadas a baixo pois estou mortinho por partirmos. Vamos ter com amigos ao Alentejo, será um fim de semana de descanso finalmente depois de meses de trabalho e a ideia de descansar e partilhar um pouco de alegria parece um qualquer reclame que leio num email para adquirir mas sei que não posso comprar/usar porque não tenho tempo; mas agora vou mesmo apreciar com a melhor companhia.
Conseguimos deixar a mala com o Marco na noite anterior e ele vai leva-la de carro, portanto podemos ir de mota o que significa que poderemos ir os dois ainda mais só dois, é essa a sensação da mota. Preparo tudo enquanto cantarolo sozinho e aguardo na sombra à saída da garagem pois tu ainda não desceste. Olho para o céu azul às pintas brancas de nuvens, sorrio, olho para a frente, um casal de gatos está deitado debaixo de um automóvel e olha para mim num ar misto de curiosidade e cumplicidade como se fosse eu o estranho ali, a fazer barulho enquanto eles "curtiam" o sol e o calor.

Apareces vinda da entrada do prédio, em passos de mulher, pequenos e extraordinariamente pacientes em contraste com os meus saltitos, apesar de também tu estares entusiasmada. Vens de top por debaixo do casaco da mota, calças de ganga justas que me fazem desligar do resto do cenário, o cabelo apanhado numa trança que parece desenhada,as sapatilhas parecem sabrinas de bailarina com o teu andar. Quero-te dizer dos gatos e da imagem gira que é vê-los olhar para nós, mas discuto comigo mesmo pois não quero estragar este momento de câmara lenta. Sorrio de novo e tu sorris de volta num flirt de namorados..."olá gaja boa!" digo em tom de brincadeira "olá gajo bom!" respondes e partimos rumo a sul...

O caminho é feito de estrada nacional, bancadas de cerejas e melão,casas rurais, árvores, Sol e brisa. Vamos dançando estrada fora ao som de cantigas que vamos trocando via capacetes. Abanamo-nos na mota como se estivéssemos num qualquer concerto musical e os carros que passam trazem passageiros curiosos com tal cena. Cumprimentamos quem nos vê passar, dizemos "olás" a tudo o que são animais castiços e vivemos um pouco esse nosso momento zen, como se nos tivessem deixado "ir brincar" e pudéssemos agarrar este dia para ganhar energia.

As cegonhas vão nos acompanhando caminho fora e o calor vai aumentando a cada placa que passamos e que avisa que estamos a chegar.Reguengos! A praça recebe-nos com uma linda igreja, pequenas árvores uma calçada linda guardada por uma estátua e meia dúzia de locais completam a foto. No café central o Ricardo e a filha Magda acenam-nos com um sorriso contagiante como se não nos vissem à anos e que nos dá vontade de dar logo um grande abraço. Com bebidas para refrescar na mão e uma vista para a praça, resta-nos aguardar o resto dos amigos que estão mesmo a chegar, mas até lá o Ricardo encanta-nos com a historia de Reguengos, da igreja e da praça à qual nos rendemos e imaginamos transportados.

Trocamos olhares depois de 2 horas de viagem, e mesmo sem o dizermos, gritamos a vontade por um beijo e da-mos a mão. Parece tão simples...da-mos a mão, mas fazemos caricias entre dedos e falamos por toque. Tento dizer-te que já tenho saudades, e que ao tocar-te só me desespera, ao olhar para ti e para a luminosidade que se faz, sorrio e faço-te saber por toque que estou a pedir-te um beijo para acalmar-me, que quero que este momento dure, que não te quero deixar ir. Agradeço ao Ricardo e digo-lhe que estou a apaixonar-me pela cidade, na verdade estou mesmo, mas sei no fundo que este tempo em que podemos nos dedicar a nós e à vida me está a contagiar.

Trocamos momentos extraordinários, de historia, amizade, de lições de vida e de avaliações de futuro, e só interrompemos por algo importante...uma fila de carros chega ansiosa por estacionar "São eles! Gritamos!" E ai estavam, o resto do grupo e agora sim...os anúncios, as vontades, os desejos iriam começar, estávamos todos juntos, fora do mundo do stress e num local lindíssimo para nós... para podermos partilhar a amizade.

Ao longe a inconfundível Sara sai do carro, de óculos de sol metidos aparece em cena como se de um filme se tratasse e acena-nos com o ar de quem vai parar o Mundo para reunir-nos a todos e para podermos festejar...segundos depois a Nuria, a Marta, o Marco, o José, a Sofia, a Vânia e a Rosa aparecem cada um saído de um qualquer anuncio de moda, sorrindo, de ar solto e vivo. Braços abertos e mesmo gritando por nós, os 100m que nos separam parecem uma eternidade para poder-mo-nos abraçar e felicitar...parece que foi à tanto tempo...mas ainda ontem estivéramos juntos e hoje queremos voltar a estar...

O Sol está certo, o céu está livre, o vento faz-nos sonhar e nós aceitamos. Vou até ao carro buscar a máquina digital e quando me volto vejo-te no meio de amigos a sorrir para mim e ao mesmo tempo a esticar o braço e mão a chamar-me...enlouqueço...outra vez...

FIM PARTE I

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